segunda-feira, 6 de setembro de 2010

land of whirling machines >>> immersiva

Postado por Chaotic Writer
Tradução livre feita por Fernando de Araújo do “post” no blog CHAOTICFLUX (http://chaoticflux.blogspot.com) sobre o vídeo “Terra das máquinas giratórias” (“Land of whirling machines”).
Preciso admitir que alguns de meus posts não são escritos no mesmo momento em que publico minhas machinimas. Produzir machinimas dá muito trabalho às vezes. Tenho algumas idéias e começo a tentar. Depois de um tempo, as coisas se juntam. Então, sou eu, dispositivos digitais, um computador, uma conexão de internet, a própria internet enquanto uma imensa ferramenta de composição. É muita coisa agindo em você. Acho que agora é o momento certo de por isto em texto.
Em segundo lugar, eu gostaria de me expor a um experimento: meus limites e talentos, os limites e possibilidades de um PC, nada avançado, as ferramentas, minhas leituras, como usar tudo isso junto, funcionando como máquina de máquina, com ruídos, mal-funcionamento e erros, com beleza mas também feiúra, A falha no sistema enquanto estética.
Tenho lido muito sobre arte, ciência e tecnologia, pesquisando suas conexões. Esta machinima é o fluxo em forma digital destes cruzamentos. Para mim, uma coisa estava claro: se eu pretendia falar sobre essas coisas, eu teria que experimentar-las, esteticamente, politicamente, como um jogo e uma aventura.
Para facilitar o meu trabalho, eu dividi esta machinima em algumas camadas.
Camada MÚSICA:
                Antes de tudo, como minha proposta geral é usar o que chamo de baixa alta-tecnologia (low hightech), o som de uma qualidade muito baixa, é às vezes, quase ruído. Recorda-me sempre a tensão entre perfeição e erro, sucesso e falha, o belo e o feio.
“Cyanotic é uma banda de rock industrial com base em Chicago, um coletivo que tem à frente Sean Payne, formado em 2002 e que lançou o seu primeiro álbum em 2005. Cyanotic é conhecida por sua obra que mixa os gêneros, que fusiona batidas e vocais tradicionais do industrial com drum’n’bass, sampling e heavy metal para criar um som muito áspero”. “As letras da banda contem muitas referências irônicas ao transhumanismo” (http://en.wikipedia.org/wiki/Cyanotic). A música que aparece nos primeiros segundos pertence ao álbum “Transhuman 2.0”.
Após a intro com o Cyanotic, eu coloquei música do DVD DEMOSAMPLER (http://www.stefan-uhlmann.de/cbm/DVD/DVD.html), um DVD free que baixei. A demoscene é uma espécie de cena geek dedicada a fazer o que eu chamaria de videoclips autoexecutáveis. Material geek “das antigas”.
A última música é “DIE KYBERNAUTEN” da banda alemã KLANGWERK (uma espécie de sinos e um instrumento ou uma fábrica de som). Leia mais sobre esta música na camada CRÉDITOS.
Camada VOZES:
Minha intenção foi sempre entre o humano e a máquina sem dicotomizar. Essas vozes digitalizadas têm um apelo tão artificial sendo ao mesmo tempo humanas. Em quatro línguas (Inglês, Francês, Alemão e Português) a mesma pergunta arrepiante: quem tem medo do futuro? Às vezes, há uma salada de vozes, confusão babélica, falha no sistema. O que temos é instabilidade construtiva.
Camada IMAGENS:


Primeiro foi, no Second Life, a instalação de IMMERSIVA de Bryn Oh, “uma pintora canadense  de óleo sobre tela que veio para o Second Life a fim de criar idéias de arte dos novos meios que não funcionam tão bem no meio óleo.” Immersiva é seu metaverso, uma contribuição steampunk de um tipo de experimento estético e também político convidando você para um mundo com suas próprias histórias e leis.  Bryn Oh, um avatar, um ghostwriter, uma peça dearte, uma bela imagem cheia de vida, um metasonho... Palavras, besouros, sons, ruídos, caixinhas de música, mecanismos, máquinas turbilhonares, giratórias... Conexões na direção de Walter Ruttmann no filme “Berlin: a Sinfonia de uma metrópole” (Berlin:Sinfonie der  Großstadt, 1927) e de Dziga Vertov  no filme “Um homem com uma câmera” (Man with a Movie Camera, 1929), ambos filmes mudos, preto e branco. Gosto muito das máquinas giratórias, turbilhonares que se pode encontrar nestas duas peças de arte. Gosto muito também de certas perspectivas.




















Na IMMERSIVA há sempre umas maquininhas girando, turbilhonando, rodando, em movimento... Você ajusta a ”câmera” e aproxima a imagem: um mundo em pequenas peças, trabalhando sem parar.


Após ter postado esta machinima, encontrei outro trabalho interessante: “Berlin - Sinfonie einer Großstadt”  ("Sinfonia de Berlin"). Uma obra de Thomas Schadt (2002) em homenagem à Berlin de Ruttmann. Comentário de um usuário do IMDB (Internet Movie Database): “A cosmic zoom-in über post-modern Berlin” (“Um zoom cósmico sobre a Berlin pós-moderna”).
Gosto de ver como as coisas se entrecruzam, como se ajustam, se reproduzem, se despedaçam, se rearranjam,  reinventam e recriam.
Uma outra “entidade” que encontrou um lugar neste trabalho foi o olho maquínico. Gosto também do efeito mesmérico.



Camada TEXTO:

Aqui eu uso títulos de artigos, de notícias, vídeos online e livros. Acrescento ainda alguns conceitos ou idéias tais como Free Commons e Pirate Bay. Este tipo de legenda funciona como um novo texto. Este não tem um sentido a ser interpretado. Uso, para tanto, textos em Inglês, Português, Alemão e Francês, tentando citar títulos com ao menos uma palavra “internacional”. A idéia é reviver a experiência de estar em um ônibus cheio de pessoas de vários lugares do mundo, falando idiomas diferentes. Alguns idiomas nós entendemos 100%, algumas vezes reconhecemos um sotaque, às vezes apenas uma palavra, após isso podemos cometer erros em nosso processo de decodificação e se não entendermos nada, podemos, ao menos, “curtir” os sons e ruídos estranhos de uma língua desconhecida. De certa forma, é uma experiência babélica, e também muito além disso, se quisermos. Por outro lado, anúncios de produtos do site instalação CYBORG WEB SHOP podem ser encontrados entre os outros textos. O CYBORG WEB SHOP é a simulação de um tipo de Future Shop (Você lembra de Future Shock?), onde você pode encontrar produtos que já existem, alguns ao menos em estágio experimental ou coisas que ainda virão, ou não.





Camada CREDITS:
Os créditos começam com a última cena. Chaotic Writer sentado sobre o aquecedor ionosférico e música “Die Kybernauten” (“Os cibernautas”) da banda alemã Klangwerk:
“Achtung!
Hier spricht Alexander Abraham von Klangwerk.
Wir unterbrechen das Programm für die folgende Meldung;
Die Kybernauten haben Melbourne erreicht.”
Em Português:
“Atenção!
Aqui, quem fala é Alexander Abraham da Klangwerk.
Interrompemos o programa para o seguinte informe: os cibernautas alcançaram Melbourne”.

E o refrão:

“Niemand weiß, was die Zukunft bringt.”

Em Português:

“Ninguém sabe o que o future traz.”

Os créditos também têm os links de tudo o que foi citado como legenda. Siga os links, siga as rotas.  Alguém pode ir adiante caso conheça algum dos idiomas ou queira apenas procurar outras fontes sobre os temas. Os links ativos foram dados no fim deste post. Infelizmente, o videoclip  “Die Kybernauten”  não está mais disponível, mas as letras ainda estão lá, para que as pessoas possam traduzi-las para suas línguas.

Quando vejo esta machinima agora, eu a vejo como uma espécie de documentário rizomático ou talk show tratando de problemas que me fazem pensar.
 
FOLLOW THE LINKS! SIGA OS LINKS!




 



































Nenhum comentário:

Postar um comentário